radostia: (le chão de madeira)
Anna H. ([personal profile] radostia) wrote2012-08-13 02:03 pm

comodidade

Você tá lá com ela na cama, no meio dos três edredons que têm usado para poderem dormir, e ela tá te beijando com vontade, arranhando as suas costas e as suas coxas, apertando a sua bunda, e aí você acha que já ta na hora de tirarem a segunda parte das roupas. Você morde os lábios dela, o queixo, o pescoço, sorri com o suspiro que ela solta e beija o colo dela, e ela pergunta se seria melhor dar uma gorjeta maior pro eletricista porque é Natal.


Assim, com a sua boca no peito dela e as mãos no fecho do sutiã que você acabou de abrir.

Você aí com a sua calcinha de renda e lacinhos toda molhada e ela pensando na gorjeta do eletricista.

Aí você larga o sutiã dela e sai da cama, se desenroscando daquele monte de edredom do jeito menos patético que dá, e ela não diz nada mesmo quando você se esquece de responder, continua fazendo umas contas com os olhos meio rolados pra cima indo de um lado pro outro seguindo os números. Dá pra ver a marca dos seus dentes no ombro dela.

Você abre umas das gavetas da cômoda ao lado da cama, tira uma calcinha qualquer e a calça de pijama menos sexy que você tem, e de lá vai pro banheiro, achando que dá pra resolver o negócio com papel higiênico porque, por sorte, você se depilou pela manhã. Oh, ilusão. Você tava mais interessada do que tinha imaginado, e o jeito é tomar banho.

A casa tá fria porque o aquecedor queimou, mas um banho gelado é a melhor coisa que você pode fazer por si mesma. Então você prende o cabelo com aquela piranha que já devia estar no lixo e entra lá, corajosa. Seu queixo treme um pouco e os seus dedos doem, mas a coisa entre as suas pernas não entende que o clima acabou e continua a pulsar. Você tenta ignorar e só lavar a quantidade absurda de lubrificante que insiste em escorrer pelas suas coxas, mas até isso é mal interpretado. Aí você se irrita de verdade e se masturba logo, sem pensar em nada, só pra se livrar do desconforto. Em menos de um minuto, consegue alguma coisa parecida com um orgasmo, que, se muito, te faz sentir alívio.

Quando você sai, você se seca o melhor que consegue pra minimizar o frio e depois se enfia na calcinha frouxa e desbotada e naquela calça de flanela que já devia ter virado pano de chão. Você pega a camisa suja de café e o moletom que tinha deixado pendurados atrás da porta e se mete neles também. Você se encara no espelho pensando que nada no mundo, naquele exato instante, pode ser menos sexy que você.

Você enfia os pés nas pantufas e vai para a cozinha.

Chuta o aquecedor morto no caminho.

Na geladeira tem um resto de macarrão cotovelo com queijo que você fez pro jantar de ontem e que agora você coloca num prato e leva pra dentro do microondas. Você queria cerveja, mas só tem suco de laranja, então vai isso mesmo.

Enquanto o seu prato gira, você dá uma espiada na sua namorada. Ela tá com o computador no colo, trabalhando. O microondas apita e você deixa a namorada pra lá, pega a sua comida, a sua bebida, vai sentar no sofá e liga a TV. A voz dela se sobrepõe ao chiado do canal não sintonizado, perguntando, Duda, tem gasolina no carro? Você responde que sabe lá.

A coisa menos sexy que cruza a sua mente é o canal de documentários sobre animais.

Mas, oh, querida, é claro que até os golfinhos querem sacanear você.

Você aí nas suas calcinhas rasgadas enquanto golfinhos gays fodem pelo mar.


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