Anna H.
19 March 2013 @ 02:25 pm
Epílogo iv  

Ele tinha as mãos repousadas na cama, ao lado do corpo, sobre a manta de retalhos que o cobria até a cintura. Em ambos os braços, bandagens cobriam o local de inserção de vários tubos vermelhos e incolores, ligados a uma única máquina branca e robusta, encostada à parede do quarto. O pijama hospitalar estava entreaberto e deixava seu peito à mostra, muito mais magro do que eu recordava. Dolorosamente magro. A cor de sua pele se aproximava da fábrica verde esbranquiçada que o cobria. Da base de seu pescoço, acoplado a uma placa azulada, saía um tubo incolor que se conectava a um cilindro no qual um diafragma se expandia e contraía. Seus lábios estavam ressecados; suas bochechas, profundas, e seus olhos também – naquela face lívida, eram a única parte escura. E não se abriram em momento algum. Seu cabelo era tão escuro quanto o meu e crescera desordenadamente. Em algumas partes, simplesmente não crescera.

a caixa de pandora )

 
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Anna H.
19 March 2013 @ 02:21 pm
Epílogo iii  

Parecia que Mansfield passara a viver em meu apartamento. Lembro ouvi-lo relatar algo sobre embriaguez e ter confundido minha casa com a dos pais, o que torna possível imaginar o que se sucedera então. Mas a verdade é que apenas tenho a impressão de que sua presença tornara-se longa e contínua e, por outras vezes, desaparecia por o que poderiam ter sido horas ou meses, embora primeira opção fosse mais provável. Outra verdade é que qualquer noção de tempo que ainda me restava fora estraçalhada com a visita de Knowles. O gosto ruim em minha boca permaneu mesmo depois sua retirada, e nosso encontro me parecia, ao mesmo tempo, tão recente e tão distante que eu não saberia dizer se acontecera há dias ou há poucos minutos.

batatas fritas e resoluções )

 
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